sábado, 31 de dezembro de 2016

Alguns filmes favoritos

Essa corrente é do facebook, mas por vários motivos não poderia responder lá: não gosto mais daquela rede social, logo, não quero alimentá-la; era só para responder uma coisa de cada; tinha que alimentar a corrente; e não menos importante, olha o tamanho desse post: 
Me Deram: Pulp Fiction
Se Gostei: nada além da música do Urge Overkill

Poderia gostar muito desse filme porque tem a Uma Thurman, John Travolta, Bruce Willis e Samuel L. Jackson juntos, tem música e tem umas cenas ilícitas engraçadas, mas odiei tanto a cena da lanchonete - aquele casal não cala a boca - que tenho preguiça de ver de novo para novas conclusões.


Vi o videoclipe na MTV muito antes de saber quem era Quentin Tarantino, anotei o nome correndo em algum papel que perdi, e mais de meia década depois assisto o filme e fico chocada que era ali que a música estava.

Meu Favorito cult: O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman

Um cliché dos cults, mas merece ser falado sempre. Assisti porque me intrigou a cena da morte na praia com um dos braços abertos, vi em algum lugar na internet. Ficou melhor ainda quando assisti depois de ter estudado as disciplinas de medievalismo e teoria da historiografia.

Que cenão da porra

Morangos Silvestres e Persona também são lindos, mas A Flauta Mágica, para quem gosta de ópera e de Mozart, é sensacional. Para quem não gosta ou conhece, é o filme certo para conhecer e gostar. Papageno é apaixonante! O restante vou vendo e conversando, espero, futuramente.

Meu filme favorito povão: Shrek e Os Simpsons são filmes que vejo repetidamente, quando minha irmã morava comigo era quase todo domingo. Mas adoro todo filme "povão" (detestei esse termo, parece que é alguém que vê filmes super alternativos e desconhecidos querendo se mostrar "normal", "legal" e "do povo", tipo nosso futuro prefeito comendo pastel), de comédias românticas boas a ruins que só saíram para a TV ianque, besteiróis machistas e moleques sem noção, fora que adoro Adam Sandler, Jack Black, Owen Wilson, James Franco e seus comparsas de comédias questionáveis.

 Eu quando me deixam tímida, e quando vejo romances bobos

Um Ator: Zé Wilker

Amo dezenas de atores a ponto de não saber qual gosto mais. Mas o único que me faz sofrer sua morte até hoje e que fico com olhar de peixe morto assistindo é o Zé. Desde criança amo ele demais, demais mesmo. No papel de vice (não decorativo), elejo Jack Nicholson, meu Zé do hemisfério norte.

Vadinho

Uma atriz: Anjelica Huston

Quando pequena queria ser ela, porque além de grande e linda, era esposa do Raul Julia na família Addams. Morria de medo da Eva Ernst, de pena da Sra. Jan Brown e de raiva da Baronesa Rodmilla De Ghent, essa mulher nos faz sentir todas as coisas! Minha vice é minha xará: Helen Mirren. Gosto dela em tudo, até em Reds (adoro o elenco todo).

Cena mais impactante só no Encouraçado Potemkin!

Um Diretor: vou dividir essa em quatro. Lá vai: Ingmar Bergman, Orson Welles, Dario Argento, Stanley Kubrick

Já falei do Ingmar e o Kubrick é falado toda hora por aí. 2001 - uma odisséia no espaço é ótimo, ainda mais sincronizado com Echoes do Pink Floyd. O que senti vendo aquele filme alguém já sentiu ouvindo o The Dark Side of the Moon. Não vou falar de A Laranja Mecânica, nem de O Iluminado. Mas sim Glória Feita de Sangue e Dr. Fantástico. Esses dois um professor camarada indicou na sala de aula e são indescritíveis. I Guerra Mundial e Guerra Fria, Kirk Douglas, o homem de um século, e Peter Sellers, não interpretando um, mas TRÊS personagens.

Orson Welles: gostei no primeiro segundo de filme porque era O Processo, de Franz Kafka. É meu livro favorito do escritor e possivelmente será meu filme favorito do Orson porque ele é a representação mais fiel dos cenários dos meus sonhos de infância. Não sei explicar melhor do que isso: meus sonhos se tornando realidade em cenário de um filme. É muito impactante e agradeço por ter algo tão indizível traduzido por alguém. O cidadão Kane é outro filme maravilhoso, e Orson é um atorzão, assim como Anthony Perkins (que homem).

Agora o mais colorido dos diretores: Dario Argento. Não lembro como, mas achei Suspiria por aí, e não são apenas excelentes filmes de terror como também filmes de terror com trilha sonora de rock progressivo. O Exorcista, dirigido por William Friedkin, havia feito isso com Mike Oldfield (e por acaso o Max von Sydow, o exorcista, é o cavaleiro que joga xadrez com a morte, em O Sétimo Selo), mas os filmes do Dario são diferentes. Ele tem uma parceria forte com a banda de rock progressivo italiana Goblin, e também trabalhou com o saudoso Keith Emerson, que se suicidou no interminável 2016. Keith era o E de Emerson Lake and Palmer,. As trilhas sonoras são tão potentes quanto a cor vermelha nos filmes do Dario. Até as cenas mais calmas me deixam apreensiva, e não fico apenas com medo nas cenas tensas, mas muito feliz, porque é muito bonito de ver. Da trilogia das bruxas, Suspiria e Inferno, para ver e ouvir. Profondo Rosso é para morrer de amores, inclusive pelo belíssimo casal (Daria Nicolodi foi esposa de Dario e co-escreveu Suspiria).

Profondo Rosso

Uma Animação: O caminho para El Dorado
Sou apaixonada pelo Miguel, sim ou claro? É um filme de história, é um filme fofo, e não é da Disney. Tem coisa melhor?
Meu marido, se eu fosse um desenho 
Um Musical: detesto o gênero.

Filme de Super Herói Favorito: Watchmen

Guerra Fria mais uma vez, e com os personagens mais queridos e controversos. Amei o jeito que são a HQ (estou lendo ainda) e o filme. Amei as músicas, a época, e amei que o fim do filme seria impossível de acontecer na vida real, porque se acontecesse a vida seria muito chata. Adoro cada personagem e cada ator escalado para sê-lo. Eles não são os heróis certinhos perfeitos chatos de sempre. São humanos, e têm o pior e/ou o lado mais cru da humanidade. É por isso que gosto TANTO. E por isso que cada um merece um gif.

Hello, darkness, my old friend
 
Que existencialismo
 
Que homens
 
Que mulheres

Filme de drama: Closer

Talvez não pareça a olho nu, mas dentro de mim tenho muito do Dan. É um filme que a cada assistida tenho um olhar absolutamente diferente. Pode não ser de fato "o" favorito, mas foi o que lembrei enquanto respondia a lista.

Os dois estão certos


Filme de Saga: nunca terminei nenhuma (Crepúsculo terminei, mas né), mas Harry Potter e O Senhor dos Anéis são legais.

Uma comédia: O auto da compadecida

Melhor ainda quando em minissérie de 4 capítulos e 100 minutos a mais que o filme. Assisti em 1999 antes de sair nos cinemas, com papai. A partir daí me apaixonei pelo elenco e pelo Ariano Suassuna. E, claro, foi uma história filmada no lugar mais bonito do planeta: Paraíba. Não é só comédia, é romance, drama, clássico, brasileiro, nordestino.


Um Romance: Buffalo '66

Não é um filme meramente romântico, talvez - muito provavelmente - alguém questione o Billy. Mas o ser humano é complexo e não nasce com modos, por assim dizer. Sou fã do Vincent Gallo, e novamente aqui há Anjelica Huston - ao lado da Christina Ricci! É uma história simples, improvável, e me fez conhecer algumas bandas de rock progressivo, como King Crimson e Yes.


* Confesso que meus créditos serão bem porcaria: pesquisei os gifs no google do jeito que dava, então tem muita coisa de tumblr e giphy, não vi a postagem original. Mas os gifs de Profondo Rosso, Vadinho e do Chicó são meus, eu que fiz, sozinha, ninguém me ajudou!

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Michelangelo Antonioni's Professione: Reporter (The Passenger - 1975)






Jack Nicholson e Maria Schneider

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

TAG: Música clássica na literatura

A Mia lembrou de mim com esta tag e fiquei muito contente, porque foi um dos gêneros musicais que gostei sozinha primeiro, por ter costume de assistir desenhos animados antigos, e por algum sem noção quase ter jogado fora uma coleção quase completa da Caras de clássicos, que meu tio (que era porteiro do prédio dessa pessoa) acabou me presenteando lá pelos 9 anos.

Vou comentar também algumas das músicas e sugerir outras; a playlist no final.


1. As Quatro estações - Vivaldi - Um livro com muitas oscilações no enredo

Agatha Christie sempre me traz oscilações. Muitos com orgulho e vaidade comentam por aí que ela é previsível e já se sabe o assassino antes da metade do livro. Nunca acertei nenhum, e é por isso que gosto tanto dela, fora as descrições de espaço, personalidade e comidas. O último que li foi A casa no penhasco, e não esperava por aquele fim, por mais que me fosse familiar de algum modo. Detalhe: não imagino Hercule Poirot um senhorzinho baixinho metódico. Imagino isso daqui (que é o Dorian Gray também, porque pra mim ele não é loiro nem que Oscar Wilde me apontasse uma arma na cabeça, nem o Ben Barnes porque ele não surte efeito nenhum em mim).

não encontrei autor original do gif.

Sobre Vivaldi, coloquei na playlist minha versão favorita que é I Musici, de 1988. Eu sempre morri de medo dessas máscaras do carnaval em Veneza, mas agora amo e tenho até anel no estilo. Mas é amor com medinho.

2. Sonata ao Luar - Beethoven | Um livro que te deixa triste/melancólico

Notas do subsolo do Dostoiévski me deixou muito mal. Outros livros me agoniaram, mas esse eu senti que era eu. Aquilo tudo de provar para si mesmo, de estragar momentos, essa ansiedade toda e esse monólogo mental, isso é meu cotidiano. Em casa, na rua, no metrô, no trabalho. E principalmente com pessoas de outras classes sociais, em eventos cheio de não-me-toques. Ele e Kafka eu leio como se estivesse correndo, ofegante, desesperada. E isso é um baita elogio!

Nunca percebi essa música como sendo algo triste, depois dessa tag fiquei bem impressionada.

3. Totentanz - Franz Liszt - Um livro que você tenha medo de ler/reler

O tomo II de A filosofia da miséria de Proudhon. Porque eu já não lembro do tomo I e tenho medo de reler tudo aquilo para dar continuidade, ou pior: de ler e não entender. E preciso ler logo para conhecer a devolutiva de Marx, que é A miséria da filosofia.

Não é à toa que Liszt tem um sz no nome. É lindo e um pianistão da porra. Primeiro contato foi claramente a Rapsódia Húngara nº2 naquele episódio do Pica-Pau refém de um ladrão em fuga. São 19, e tem no spotify. Ele ser sogro do Wagner, que foi inspiração e desgosto de Nietzsche foi um babado. Não sabia, só relacionava Nietzsche e Liszt porque sabia que um nome formava um coração e outro seu contrário, risos.

4. A Midsummer Night's Dream - Wedding March - Mendelssohn - Um livro com um casal inspirador

Vendo os livros que marquei como lidos no skoob, descobri que não tenho casais inspiradores, porque o romantismo só tem desgraças, o realismo desgraças reais, e não lembro de um casal feliz. Gostei muito de O crime do Padre Amaro, mas não é um casal inspirador, muito pelo contrário. Único casal que me lembro está no mangá: Serena e Darien (Mamoru) de Sailor Moon. Li recentemente O conto da ilha desconhecida do José Saramago, e o homem e a moça me fizeram ler esse livro em minutos. E tem José Arcadio Buendia e Rebeca, de Cem anos de solidão. Todos casais não convencionais. Ou reais ou irreais demais, nunca com o coração apaziguado.

Curiosidade: detesto essa música desde que passei a detestar cerimônias de casamento, e foi a que mais me deu opções. Mas eu gosto dessa daqui.


5. Flight of the bumblebee - Korsakov - Um livro/leitura irritante

Repouso Absoluto de Sarah Bilston. Achei em algum site de e-books, querendo ler coisas "atuais". É uma merda, simplesmente. Nem terminei. Coisas que não aturo (ou não aturo mais): Paulo Coelho, histórias de pessoas executivas com uma vida "difícil", mimadas, no estilo classe média sofre. É muito raro eu gostar de livros atuais, ainda mais os estadunidenses (a autora e a personagem são britânicas, mas quero falar mal dos ianques). Do mesmo modo me arrependo de ter lido Marley e Eu, não pela história mas pelo ambiente, pelo modo de vida etc. no maior estilo revista Seleções (você ficaria enojada(o) se soubesse os motivos por trás desta revista), e me arrependo de ter lido O pequeno príncipe, porque como a Mia e o Pe. Fábio de Melo (risos) destacam, eu não quero nem que alguém se sinta responsável por mim (isso se chama posse) nem quero me responsabilizar por ninguém (essa parte aprendi a duras penas com minha irmã, e não quero desaprender; fora que uma vida só já dá bastante preguiça de gerenciar).

Nunca tive acesso direto a essa música porque não sabia o nome. Quando soube que era russa amei três vezes mais. Korsakov é pré revolução bolchevique, mas tá ótimo.

6. Requiem - Mozart - Um livro que você não concluiu e se arrepende por isso

Bandidos, do Eric Hobsbawm. Esse livro é ultra necessário, porque além de lembrar que bandido e ladrão não são sinônimos, ele cita o cangaço, que é uma paixão minha desde os cinco anos de idade. Pretendo fazer muitos textos que com certeza terão este como fonte, então ter parado ele me deu certa tristeza. Mas está na estante então tudo bem.

Assistam Amadeus. Quando chegarem na cena Confutatis maledictis lembrem de mim. Se gostarem, assistam A flauta mágica, de Ingmar Bergman. Se não gostarem, ainda assistam. Fui uma vez numa missa no mosteiro de S. Bento (sou católica não praticante, mas as missas naquela igreja bizantina são um túnel do tempo direto para o século XIV) e o folheto era todo nessa ordem (requiem é missa para os mortos), com música tocada no órgão. Sente o drama. Até sendo ateia/ateu, vale a pena dar uma averiguada pra compreender o motivo desse tipo de música existir. E não esqueçam dos filmes.

7. Morning Good - Edvard Grieg - Um livro com um ambiente agradável


A cidade e as serras, do Eça de Queirós. Li para tentar ser menos fiasco na Fuvest (não deu certo), e me apaixonei. Tanto a cidade sendo industrializada ao final do século XIX como a saudade do campo, do interior, e as questões políticas, as descrições (que muita gente detesta, eu acho), me deixam apaixonada. Para vocês terem uma ideia, li esse livro em 2010 e ainda me lembro dum banquete que tinha peixe no meio do livro. Totalmente prescindível da história, mas tão bem detalhado que eu quase senti o gosto.

Me lembro com essa música de A turma do Didi aos domingos, e os filmes da Barbie aos sábados. E meu desenho favorito: Sam and Ralph (não sei o nome do desenho direito, mas Sam é o cão pastor e Ralph o lobo - ele não é o Coiote do Papa-Léguas - que têm como emprego cuidar e roubar ovelhas, respectivamente; são amigos até baterem o ponto, viram inimigos, e ao final do dia amigos de novo). Agora me dei conta da semelhança com A revolução dos bichos e quero gritar de alegria. Vai ter post só, deles, claro.

8. Pedro e o Lobo - Prokofiev - Uma história infantil encantadora

Os Colegas, da Lygia Bojunga. Meu primeiro livro e primeira leitura, com uns cinco anos, certamente. reli tantas vezes como nunca fiz com qualquer outro. Mas acontece que emprestei na 6ª série e nunca mais vi. Juram que me devolveram, mas esse livro (e aquela edição...) é tão minha felicidade clandestina que não é possível que recebi e não me lembro.

Eu tenho uma história sobre essa música. Eu tenho um romance com Sergei Prokofiev, que é da URSS, CCCP, USSR, como preferirem. Mas isso está num rascunho há meses, então me aguardem com essa bomba enquanto apreciam Pedro e o Lobo com narração na playlist, e minha querida Dance of knights.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Animal Farm - a fairy story

Hoje por um acaso descobri que é aniversário (71 anos) de A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Então vou contar rapidamente o motivo de esta ser uma data importante pra caramba na minha vida, e no que me rodeia, ok?

Meu primeiro contato com essa história foi no ensino médio. Provavelmente numa aula vaga, algum(a) professor(a) - desconfio quais, mas não me lembro exatamente quem - decidiu que era hora de passar um filme de 1999 (detalhe que o filme é uma visão norte-americana do diretor, ou seja, ele mexeu na obra) para nós. "Que merda, um filme de bicho que fala" - pensei, zoei, enfim. Odeio a adolescência, porque num geral as ações e reações são tudo meio merda (desculpem os adolescentes que me leem, espero que estejam vivenciando essa época melhor do que eu vivenciei). Provavelmente fui escrota enquanto o Major fazia seu importante discurso. Assisti ao filme e lembro de ter dado uma nota ruim no filmow.

Ao final da graduação, portanto pelo menos três anos depois, eu não fazia ideia do que fazer do meu tcc, que era um artigo de no máximo 20 páginas. Simples para quem faz monografias por aí, tanto é que desmereciam esse trabalho os próprios colegas de turma, dizendo "tô fazendo tcc... tcc não né, é só um artigo" (TCC - Trabalho de Conclusão de Curso. "Não é tcc" o caralho!). Para mim, ainda assim, uma e a maior realização até o momento nesta minha vida.

Pois bem. O professor era novo (para mim, ele era antigo na "casa" e havia voltado do exterior, se não me engano, todos falavam dele como se estivessem se referindo a um deus dos historiadores, e de fato era quase isso em não somente um sentido - não disse qual). Eu não tinha ideia do que queria, apenas que era algo com Pink Floyd. Passei os quatro semestres anteriores pensando em algo relacionado à psicodelia, Syd Barrett e ou A Saucerful of Secrets, ou The Piper at the Gates of Dawn.

Mal colocou a bolsa sobre a mesa e nos deu bom dia, professor Alberto já começou a aula querendo saber quem éramos e o que queríamos fazer da vida (e eu sei?). Graças ao bom Deus, começou pela fileira mais distante, enquanto meu cérebro latejava - e agora, Josefa? Reavaliei minha vida, não saíam esses dois discos e época de minha mente. Até que, faltando umas cinco pessoas para a minha vez, lembrei que estava lendo 1984. Liguei o nome à pessoa - 1984 > George Orwell > A Revolução dos Bichos > Pink Floyd > Animals >1977. Não tinha nada mais o que acrescentar. Arrisquei. E professor Alberto utilizou comigo a palavra mais bonita que já aprendi na minha vida: E X E Q U Í V E L. Ela é linda pela sonoridade, pelo significado, e por eu só ter visto ela poucas vezes, incluso recentemente em O Castelo, de Franz Kafka, outro amor meu.

Voltando à exequibilidade de meu projeto, professor Alberto disse que: se eu tinha o disco, sabia da banda, tinha o livro e um bom recorte (alguns anos nas décadas de 1940 e 1970), por que não? O importante era fazer algo de meu interesse, e que focasse em boas fontes. O importante é ter fontes primárias e saber pesquisar, o resto se tira de letra. Foram então seis meses de pouca escrita, muito sono, leitura, muito rock progressivo e, por fim, um bom parto. Pari este artigo com o maior amor, orgulho e desespero do mundo. Porque escrevi pelo menos 15 das 20 páginas (achei que não chegaria a 10, mas quase passei de 20) entre 00h e 09h, sendo que deveria entregar a partir das 08h do mesmo dia. Cheguei na universidade quase meio-dia, com o professor e uma colega saindo da sala vazia e eu meio que gritando "espera eu!", seguida de os dois "olha ela aí, estávamos falando de você!". Entreguei, tirei uma nota muito querida e carrego este filho até hoje, querendo já muitos outros mas sabendo que este é especial.

Especial porque, a partir disso, só se verá em layouts de meu blog porcos cães e/ou ovelhas. Assim como no disco do Pink Floyd, e assim como os personagens principais da fábula onde os bichos se rebelam contra os fazendeiros e passam a auto sustentar-se, sem, com isso, estarem livres do totalitarismo. Há roubo de discurso, sofismo, alienação, enfim. É uma sociedade como fábula. E é uma fábula distópica, coisa que eu amo profundamente. Fora que, para prejuízo e tristeza de meus adversários políticos, George Orwell e sua obra são antitotalitaristas e anti-imperialistas, o que NÃO SIGNIFICA anticomunistas, considerando que este fabuloso homem, digníssimo e honrado, era de algum ramo da esquerda, diz alguém relacionada a Trótsky, tanto que lutou na Guerra Civil Espanhola e levou um tiro no pescoço lutando pelo POUM (Partido Operário de Unificação Marxista), contra o fascismo. Assim como, também, a Bruxa do 71, mas esta é outra história.

Acho que está bom, né? Disse que seria breve (se não disse, pensei), mas olha o tamanho disso aqui. Não vejo a hora de criar vergonha na cara e organização na casa para começar a artigar outras obras de arte deste e de outros amores.