16 de jul de 2017

Liebster award

Regras

Escrever 11 fatos sobre você. ✔
Responder às perguntas de quem te indicou. ✔
Indicar de 11 a 20 blogs com menos de 200 inscritos.
Fazer 11 perguntas aos blogs indicados.
Colocar o selo do Liebster Award. ✔
Linkar quem te indicou: Mia (Wink). ✔

11 fatos sobre mim

1: Amo e defendo todas as ciências clássicas – isso é já uma crítica séria e veemente contra aquela piada desgraçada de internet de “não sei, sou de humanas”. Sou completamente de humanas – curso e trabalho com história, museologia, biblioteconomia e possuo livros em sua maioria de filosofia -, mas minhas melhores notas na escola eram em matemática, que amo também, e que está presente na natureza, no universo, e na música.

2: Amo o silêncio. Tem sido um assunto recorrente essas semanas: como tanta gente se desespera para falar, alto e constantemente, e como fico desesperada em ter que ouvir, quando a única voz que quero ouvir é a minha, dentro da minha própria cabeça, ou nem isso. Apenas o vento. Barulho me deixa irritada, faz com que minha cabeça comece a girar, girar e girar, a pessoa fala um assunto, e desse assunto nada mais me lembro. Não há concentração ou interesse. Existem brigas familiares por incompatibilidade de gênio aqui em casa, infelizmente.

3: Não assisto séries. Já assisti, não consigo mais. Tenho algumas – poucas – que me interessam, mas não tenho paciência de acompanhar. Talvez acompanharia apenas True Detective, que achei acima da média; e The Borgias, porque merece. O resto, ou me irrita o hype - sempre ele -, ou silencio as hashtags no twitter, ou deixo pra lá.

4: Pretendo seguir carreira acadêmica em paralelo com minhas atividades atuais, que são ligadas à pedagogia (coisa que aconteceu por obra do destino, parece). Tenho interesse em pós-doutorado e além, mas adivinhem: detesto o ambiente acadêmico e o elitismo, hierarquia que correm soltos por lá. Fora os problemas internos da educação, que nem vou comentar pois esse post já está muito nervoso quase sem querer.

5: Não sei escrever de maneira poética, sentimental, romântica, fictícia, pessoal. Sabia, na adolescência; parece até que eu era mais corajosa aos 16 anos que aos 25. Tudo que escrevo tem ficado tão sério, que o que de pessoal existe transparece nas referências e no meu desejo de defender aquilo que gosto, ou de ofender aquilo que detesto. Sinto certa saudade da crueza em dizer sentimentos, sem misturá-los com a razão, e sem me importar com vírgulas no lugar certo e sinônimos para palavras recorrentes.

6: Esse ano aprendi a me apresentar em seminários, ou melhorei uns 60%. Mas no último, que apresentei sozinha, eu chorei. Porque era um assunto muito especial, que espero mostrar aqui até dezembro. Posso adiantar que estava citando uma estrofe da música Cidadão: a voz sumiu e veio o choro. Mas aquele choro que nem lágrima sai, de tão complicado.

7: Falando em chorar, fui duas vezes em show de Elba Ramalho. Sou mais fã do , mas não sei o que me dá com aquela mulher maravilhosa que eu choro. Na primeira vez, o motivo se misturava com saudade de mamãe e raiva de um dia muito ruim; na segunda, foi realização, alívio, orgulho, e admiração mesmo. A voz dela é tudo o que a gente ouve e mais um pouco. A danada ainda toca violão e triângulo. Parece que já foi baterista na juventude.

8: Não há lugar nesse mundo que eu ame mais que o Nordeste brasileiro. Me sinto parente de gente que nem conheço e sequer chegarei a conhecer um dia; tenho um breve desgosto por não ter nascido exatamente lá, mas o amor é tão grande que nem dói de verdade. Então alio minha luta de classes com meu nordeste, que tem o céu tão lindo e enorme que parece que está caindo na cabeça da gente. Quem não conhece, caso tenha oportunidade – e luto para que todos tenham oportunidades -, visite. Por favor.

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9: Do mesmo modo, sinto a América Latina presente em mim mais do que a ideia patriótica de ser brasileira. Amo meu país, claro. Mas jamais fui patriota. Contudo, aquele negócio no peito da gente, que imagino que os patriotas queiram que a gente sinta, eu sinto pelas terras de língua latina no continente americano.

10: Toda noite sonho com transporte. Não tem absolutamente nada a ver com a atmosfera desse mundo, nem com as cinco horas diárias que passo pra lá e pra cá em São Paulo. Sempre sonhei com transporte, sem nem sair de casa todos os dias. Já sonhei com bairros e estações que inexistem, lojas de comércio, cidades; sempre estou em vagões de trem ou metrô, onde só o nome da estação se equipara à realidade. O restante minha mente inventa – ou viaja para outros mundos, quem sabe. Já dirigi, pilotei avião, estive em vagão de trem do século XIX acendendo lâmpadas incandescentes, tive um piripaque numa estação, criei ligações diretas entre Ipiranga e Pinheiros, e um bairro inteiro na extrema Zona Leste, com direito a visitar vários estabelecimentos. Sonhos recorrentes com papelarias também acontecem, e fantasmas, casarões e livros têm medalha de bronze. Mas eu sonho, todas as noites.

11: Nada de miga, mana, flor, amor, fia: me chame pelo nome. Não acredito em deboísmo, pacifismo, good vibes, #pas e gratidão 🌸. Sobre tudo isso: tô fora, pego meu coração peludo e vou embora.

11 perguntas da Mia

1. Qual livro você gostaria de ter escrito?
Acho que gostaria mais de escrever meu próprio livro do que ter escrito um livro que já existe. Talvez se fosse eu escrevendo qualquer obra que hoje admiro, o sentimento por ela seria diferente, porque eu teria tudo aquilo em mim, os rascunhos, as horas de desespero, cansaço, encheção de saco do editor, críticas ruins dos leitores, gente que interpretou errado. Para tanto, vou deixar um pensamento do David Gilmour; é sobre música, mas é um ponto de vista do lado de lá: qual disco você gostaria de não ter composto? Acho esse pensamento dele muito forte: participou de um dos maiores discos do século XX (nem adianta contestar, ficou 15 anos nas listas da Billboard 200; isso são 917 semanas), mas vai morrer sem saber como é o impacto de ouvir toda a obra pela primeira vez. Porque ele viveu os bastidores e os spoilers musicais todos – que muito fã gostaria de ter vivido, e eu, pelo mesmo motivo dos livros, não gostaria não.

fonte

2. Você tem/teve animais de estimação? Conte uma história sobre ele ♥

Já tive papagaio, galinha, ‘rolinha’, sabiá, pombo, calafate, e agora possuo duas gatas e duas cachorras (Nininha, Bella, Maggie e Nina – a Nina já veio com esse nome, por isso a coincidência com o nome da gata, que é no diminutivo mesmo). Poderia dizer mil histórias sobre elas, mas digo o mais curioso e corriqueiro: Nininha, mãe de Bella, bate nela toda vez que se esbarram. Às vezes lambe, mas só se não tiver humanos por perto. Fora isso, só porrada. As cachorras correm atrás de gatos, menos dessas duas. Morrem de medo delas, especialmente de Nininha, que já apartou uma briga das cachorras batendo em todas elas.

3. Você coleciona alguma coisa? O quê?
Livros. Infelizmente no sentido acumulador da coisa, mas a biblioteconomia tem me salvado. Ganhei muitos livros nos últimos 16 anos, de “descarte” de gente rica do prédio em que meu tio trabalha. Por apego, fiquei até com as obras que não me interessam diretamente, e tenho lutado contra a umidade na minha casa, então está sendo perigoso manter uma coleção tão grande. Vou descartar alguns, e doar outros, em melhores condições. Até porque continuo comprando.

4. Qual é a história do nome do teu blog?
Acredito que tenha sido porque já havia decidido que faria faculdade de História. Então tem toda uma característica de o passado diz coisas, civilizações antigas, pensamentos que foram aperfeiçoados ao longo dos séculos… já tentei mudar de nome quando pensei no velho mundo como a Europa diante do novo mundo, a América. Mas não me adaptei a outro nome de blog. Esse sobrevive desde 2008, com posts arquivados ou expostos.

5. E a história do teu nome? Sabe por que teus pais te deram ele?
Acho que minha tia sugeriu meu nome: Helen Cristina. Seria Juliana, a gosto do meu pai, mas ainda bem que segui sendo a tocha grega, personagem central da Guerra de Tróia, que motivou a briga entre Paris e Menelau. Seria briga pelo poder? Por amor? Alegoria? Não sei.

6. Se você pudesse ressuscitar qualquer figura histórica da humanidade, qual seria?


Marx, 1839, de I. Grinstein, 1961
Marx, 1839, de I. Grinstein, 1961

Marx, diante da sociedade atual. Sinto que poucos de fato compreendem um pouco de seu pensamento. E não é só na direita que devemos pensar, quando falamos a famosa frase "deturparam Marx". Muita esquerda também não colabora.

7. Qual foi o último livro que você leu?
O que é fascismo e outros ensaios, de George Orwell. Percebi com ele apenas uma coisa: preciso ler os autores citados por ele para entender o que está dizendo, porque fiquei um pouco perdida. Mas vale a pena: são relatos ao vivaço do que ele enxergou da intelectualidade durante a II Guerra Mundial.

8. O que você mais tem escutado nos últimos tempos?
Segundo minha last.fm, Vincent Gallo, John Frusciante, Pink Floyd, Black Sabbath, Metallica e Faith no More. Porém não só isso. Os dois primeiros, amo pelo talento e pela inspiração, escrevi um artigo no começo de junho e precisava bastante; ajudou demais. Floyd, porque não há como não ouvir. E as seguintes, porque amo contrabaixo e preciso de um classic heavy metal na minha vida, porque sou dura sem perder a ternura. Ah, e voltei a ouvir Red Hot Chili Peppers; tanto, que foi minha primeira playlist da newsletter, já viu?

9. Numa época de vlogs e newsletters, por que você ainda mantém um blog?
Porque marcou uma época. Porque me faz bem entrar num blog e ver um layout bonito e original, assim como textos interessantes, sejam eles tristes ou divertidos. E se o layout não me agrada ou faz meu computador travar, tenho o feedly como apoio. Por isso, não se esqueçam de ativar o feed/rss no blog de vocês, por favor. Tenho maior apreço por blogs com terminação blogspot.com. É como se fosse uma casa, como se estivesse visitando alguém muito modesta(o) e hospitaleira(o). O estilo de escrita é a marca inconfundível de um blog, mesmo que seu logo constantemente mude. Ainda assim sigo blogs com aparência e conteúdo clichés, quando um post ou outro me interessa.

10. Se você pudesse trocar de lugar com qualquer personagem de livro, filme ou série, com quem trocaria?
Elizabeth Bennet, acho. Porque basicamente meus personagens favoritos são todos uns azarados existencialistas, e já me vejo em atitudes de cada um, principalmente o próprio Dostoiévski; se não isso, são personagens sofredores da época do romantismo que se sacrificam e/ou suicidam por amor. Então seria bom ao menos uma vez ser uma moça inteligente, decidida, estudiosa, que ignorou um homem arrogante, e o fim quem leu/assistiu já sabe, quem não leu/assistiu, descubra.


11. Se sua vida fosse um filme quem seria o diretor?
Ingmar Bergman / Orson Welles / Dario Argento.

O Ingmar consegue mostrar questões da existência muito bem, sem ser óbvio como os chargistas políticos que fazem caricaturas com legenda; é meu diretor de filmes favorito e a morte d'O sétimo selo, e todas as questões levantadas no filme são essenciais para reflexão. Com ele e A flauta mágica tive outro olhar em direção à ópera.

Papageno e Papagena, melhores personagens
O Orson materializou o ambiente de meus sonhos - vide fato 10 - em O processo, com Anthony Perkins. Se fosse um filme surrealista, ou sobre meus sonhos, seria dele.

fonte
Dario Argento é um artista para o terror e para o giallo italiano. Também tem questões sobre a vida em Profondo rosso que pretendo tratar aqui mais tarde. Se meu filme fosse com cor, e com meu lado Dostoiévski e as notas do meu subsolo, meu diretor seria Dario Argento com sua parceria com o rock progressivo para trilha sonora. Anos 1970 e língua românica são meu espírito animal.

David Hemmings, Daria Nicolodi, Dario Argento
Já falei mais ou menos sobre os três diretores, o que mostra que sou condizente comigo mesma.

12. Você tem alguma pequena obsessão - por algum assunto, uma época, um personagem histórico...? Se sim, qual?
Assunto: luta de classes. Sempre tive tendência à contestação, mesmo que, na maioria das vezes, exprimida apenas mentalmente. Quando conheci o comunismo / marxismo, encontrei pessoas que, a despeito do tempo em que viveram e vivem, conseguem traduzir o que tanto questionei a minha vida toda, seja em sentimento, seja em opinião. Sigo estudando o tema, que de todas as questões políticas, é meu carro-chefe.

Época: meados de 1960 e 1970. Psicodelia e rock progressivo nasceram nessa época cheia de ditaduras pelo mundo. A arte se sobressaiu e, para o bem e para o mal, moldou e inspirou gerações. O mal, no caso é quando algo vira ingrediente para o lucro dos capitalistas, quando estes se aproveitam da subversão do jovem ao sistema e reformulam sua linguagem para vender seu produto mascarado de descolado ou, atualmente, desconstruído, explorando o discurso dessas pessoas para benefício próprio. (Estou querendo escrever sobre as bandas que apareceram a partir daí, fora do cenário da contracultura, um modo de empresários se aproveitarem da genuína rebeldia da juventude e usar como marca de bandas a partir do fim dos 1970 e toda a década de 1980, será que escrevo?). Onde podemos ver, na música, tais questões? Welcome to the machine e Have a cigar, entre outras.

What did you dream? / It's alright we told you what to dream / You dreamed of a big star / He played a mean guitar / He always ate in the Steak Bar / He loved to drive in his Jaguar / So welcome to the machine

Personagem histórico: George Orwell. Meu TCC da faculdade foi baseado nele e em A revolução dos bichos. Por mais que possivelmente passemos, futuramente, a discordar um do outro, jamais o esquecerei, esteve comigo num momento importante da vida que foi a realização de um trabalho acadêmico, mesmo que breve. Será meu parceiro [canceriano] em críticas à esquerda e ao sistema sempre.

* Minhas 11 perguntas são as 12 da Mia, achei excelentes e não estou com cabeça para criar perguntas, considerando que há uma semana estou montando esse texto e nada me veio em mente. Também indico a você que está lendo, já que as blogueiras que conheço foram previamente indicadas, e não possuo muita intimidade na blogosfera para tanto. Se responder, me passa o link que lerei, com muito prazer e curiosidade!